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sábado, 15 de abril de 2017

Livro "Gênios da Humanidade" revela as grandes invenções criadas pelos negros em todo mundo Obra é uma ferramenta poderosa no combate ao racismo; leia a entrevista com o autor


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Reprodução da capa do livro "Gênios da Humanidade"

Reprodução da capa do livro "Gênios da Humanidade"Divulgação

Uma, ou melhor, várias verdades sobre a contribuição dos negros no desenvolvimento social, filosófico e tecnológico da humidade vêm à tona com o lançamento do livro "Ciência, Tecnologia e Inovação Africana e Afrodescendente" (editora DBA), do professor mestre Carlos Eduardo Dias Machado e da jornalista e ex-consulesa da França Alexandra Baldeh Loras.

A obra muito bem fundamentada e repleta de dados históricos revela que a raça negra não é composta apenas de pessoas que só sabem trabalhar duro em tarefas braçais, correr, dançar, cantar ou jogar futebol. É composta também de cientistas brilhantes que inventaram, entre outras coisas, a geladeira, a escrita, o microfone e o videogame.

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Apenas por isso, o livro se torna uma importante ferramenta de combate ao racismo e recuperação da autoestima do brasileiro. Mas a obra não para por aí. Alexandra e Carlos Eduardo também apresentam uma profunda reflexão sobre a omissão histórica da genialidade negra nas ciências e propõe um novo desafio a ser lançado, o de plena igualdade racial, em todas as áreas de atuação humana por um efetivo equilíbrio de poder para todos sem qualquer distinção de raça, cor, etnia, sexo, credo ou nacionalidade.

Confira a entrevista exclusiva que o professor Carlos Eduardo concedeu ao R7. O livro "Ciência, Tecnologia e Inovação Africana e Afrodescendente" (editora DBA) foi lançado este mês, tem 256 páginas e custa R$ 50.

R7: Quanto tempo levou a pesquisa e a produção do livro?

Carlos Eduardo: A primeira versão do livro levou 9 meses. Posteriormente com as negativas das editoras eu resolvi ampliar o livro. Fiquei 11 anos batalhando pela publicação revendo e atualizando o texto. É importante dizer que este foi o meu primeiro livro, pois nunca tinha escrito algo tão grande. Percebi que este tema merecia uma publicação para divulgar os feitos científicos e tecnológicos negros.

R7: O livro pretende abrir um novo horizonte sobre a participação dos negros na história da humanidade?

Carlos Eduardo: Sim o livro é bem fundamentado para valorizar a ciência, tecnologia e inovação criada pelos negros no mundo ao longo do tempo. O continente africano tem o registro mais antigo do mundo de realizações tecnológicas humanas: as ferramentas de pedra mais antigas do mundo foram encontradas no leste da África, e mais tarde a evidência para a produção de ferramentas por nossos antepassados hominídeos foi encontrada em toda a África Subsaariana. A história da ciência e da tecnologia em África desde então, devido a hegemonia branca tem recebido pouca atenção em comparação com outras regiões do mundo, apesar de notáveis desenvolvimentos africanos em matemática, metalurgia, arquitetura, agricultura entre outros campos.

R7: Quais as inovações e criações mais surpreendentes criadas por negros?

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Carlos Eduardo: O semáforo, geladeira, filamento de carbono da lâmpada, videogame, celular, microfone, pilão, calendário, a matemática, astronomia, escrita e a filosofia.

R7: Qual a sua opinião sobre o ensino da história da África nas escolas e como este conteúdo deveria ser incluído no currículo?

Carlos Eduardo: É de fundamental importância ensinar história da África antes da escravidão, colonialismo e racismo. Mas esta tarefa ainda é implementada por ativistas e simpatizantes da promoção da igualdade racial. Existe muita resistência ao tema por preconceito e por medo de que os jovens vão aprender “macumba” na escola. Este cumprimento da lei federal deveria abranger toda a escola e não individualmente professoras comprometidas.

R7:  A educação é uma ferramenta essencial na luta contra o racismo?

Carlos Eduardo: Não há dúvida, mas qual educação que se quer? A educação que temos é eurocêntrica e precisa receber os aportes das civilizações da África e América. Ainda há muita resistência por preconceito e por agarrar-se às velhas práticas que excluem a maioria da população num estado de constante alienação.

Carlos Eduardo levou 11 anos para publicar a obra

Carlos Eduardo levou 11 anos para publicar a obraDivulgação

R7: Especificamente no Brasil, quais foram as contribuições mais importantes dos afrodescendentes no desenvolvimento do país?

Carlos Eduardo: A mineralogia, mineração e fundição de metais no chamado Ciclo do Ouro. Os europeus sabiam do exímio conhecimento africano com a metalurgia em régios como o oeste e centro do continente. Destaco também as inovações produzidas pelos irmãos Antônio e André Rebouças no século 19 na construção da estrada de ferro que liga Curitiba a Paranaguá para a engenharia nacional.

R7: Em relação a pergunta anterior, o reconhecimento dessa contribuição é prejudicado por conta do racismo e da escravidão?

Carlos Eduardo: Sim porque impediu o desenvolvimento da maioria da população. Veja viemos de centenas de organizações políticas africanas desde o século 30 a. C., havia um conhecimento sofisticado em diversas áreas, no continente haviam cidades, houveram universidades como Per Ankh, Sankore, Al-Azhar e Al-Karouine, haviam escritas, literatura, filosofia e retórica. Este conhecimento amplia a nossa visão de mundo e nos encoraja a descolonizar as nossas mentes e os currículos.

quinta-feira, 23 de março de 2017

É amanhã, 24 de março Palestra Pública “ A SITUAÇÃO DA TUBERCULOSE NO MUNICIPIO DE GUAIBA” Participe !

Dia 24 de março é o DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A TUBERCULOSE e estaremos fazendo uma palestra pública “A Situação da Tuberculose no município de Guaíba”

Local: Auditório da Prefeitura Municipal

Dia: 24 de março (sexta-feira)

Dia 24 de março é o DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A TUBERCULOSE e estaremos fazendo uma palestra pública “A Situação da Tuberculose no município de Guaíba”

Local: Auditório da Prefeitura Municipal

Dia: 24 de março (sexta-feira)

Hora: 10 horas

Contamos com a sua presença.

Enfa. Maria de Fatima Francisco

Programa de Controle da Tuberculose Guaíba

(51)34801380

Hora: 10 horas

Contamos com a sua presença.

Enfa. Maria de Fatima Francisco

Programa de Controle da Tuberculose Guaíba

(51)34801380

terça-feira, 14 de março de 2017

Espaço para desenvolver Projeto Ajeun–Ilerá Alimento saudável para todos desenvolvido pela ASSOBECATY em pauta

IMG_2439O projeto Ajeun - Ilerá alimento saudável para todos, este ano vem enfrentando obstrução na realização das oficinas, na Associação Primavera. Após incêndio da Escola Nossa Senhora do Livramento, ocorrido em janeiro, a Prefeitura cedeu o espaço para o estado, ficando um acordo verbal de uma vez por semana ser disponibilizado uma sala para ASSOBECATY continuar com as oficinas.

No final do mês de fevereiro a direção da escola fechou as portas para a comunidade do projeto.

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Estes motivos, foram mais que suficientes para ASSOBECATY, pedir definição durante reunião na terça (14), com a coordenadora Debora Luz da 12ª CRE e Secretario de Comunicação e Ação Comunitária: Pedro Tavares.IMG_2440

terça-feira, 7 de março de 2017

Ministro Marco Aurélio Mello receberá Dr. Hédio Silva Jr em audiência

Dr. EdioMinistro Marco Aurélio Mello receberá Dr. Hedio Silva Jr em audiência no dia 9 de março para defender a liberdade plena dos cultos afro-brasileiros no STF

No dia 9 de março, às 18h10, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, fará uma audiência com o advogado Dr. Hédio Silva Jr, que vai argumentar sobre os abates tradicionais praticados pelas religiões afro-brasileiras, que para o jurista devem ser entendidos nos mesmos termos que os rituais realizados nas religiões judaica e islâmica.

O jurista estará com uma comitiva, formada por Dr. Antônio Basílio Filho, Dr. Jader Freire de Macedo Babalorixá Alabiy D´Oxala e convidados, que entregará ao Ministro um parecer jurídico sobre o assunto. “Esta é uma oportunidade rara, na qual representantes das religiões afro-brasileiras apresentarão uma abordagem qualificada e técnica para um ministro da nossa mais alta corte, que é o STF”, explicou Dr. Hédio.

O CASO

O tema que o Dr. Hédio Silva Jr abordará junto ao Ministro Marco Aurélio Mello é polêmico e bem conhecido do jurista, que já atuou como representante de grupos favoráveis à prática em um processo que defendeu, e ganhou, no Rio Grande do Sul. “No julgamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul considerou que o sacrifício ritual em cultos e liturgias das religiões de matriz africana, desde que sem excessos ou crueldade, não é inconstitucional e não infringe o que não infringe o Código Estadual de Proteção aos Animais”, explicou o jurista que também derrubou no Tribunal de Justiça de SP uma lei aprovada em Cotia que proíbe o uso de animais em atos religiosos.

No STF, o advogado quer mostrar ao ministro que o caso trata-se de um "preceito litúrgico protegido pela liberdade de culto", em contraponto à acusação de maus-tratos. Segundo ele, no julgamento em que examinou a regulamentação da vaquejada, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu acertadamente que essa manifestação cultural implicava crueldade e maus-tratos aos animais. “Na vaquejada, o boi é enclausurado, açoitado, instigado a correr e tem sua cauda retorcida até cair”.

Avaliando por esse ângulo, Dr. Hedio defende que a prática não tem absolutamente nenhuma relação com o abate religioso de animais, um preceito alimentar e litúrgico adotado por judeus, muçulmanos e candomblecistas, regulamentado pelo decreto federal nº 30.691/1952, por normativas do Ministério da Agricultura e decretos estaduais. “A técnica da jugulação, comum no judaísmo, no islamismo e nas religiões afro-brasileiras, é catalogada pelo Ministério da Agricultura como método humanitário, pois provoca morte instantânea, reduz a dor ao patamar mínimo e evita sofrimento desnecessário”, explicou.

O jurista explica que o direito à alimentação kosher (judaica) e halal (islâmica) tem sido ratificado por reiterados julgamentos do Tribunal de Justiça de São Paulo, nos quais companhias aéreas foram condenadas a indenizar passageiros que solicitaram previamente dieta religiosa e foram negligenciados pelos transportadores.

Dr. Hédio aponta que, do ângulo econômico, atualmente o Inmetro e o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços investem na criação de um Selo Halal para que o Brasil amplie negócios com o cobiçado mercado alimentício muçulmano - em 2015 essas certificações movimentaram cerca de US$ 1 trilhão. “Para além de sua dimensão dietética e econômica, o abate religioso constitui um preceito litúrgico referido já no Antigo Testamento, visto que o terceiro livro do Pentateuco, Levítico, faz inúmeras alusões ao abate de animais”.

Ele elucida que na Kaparot, ritual judaico realizado nas vésperas do Yom Kipur (Dia do Perdão), um homem apanha um galo -ou, sendo mulher, uma galinha- e passa o animal nove vezes sobre a cabeça, recitando a prece "bracha bnei adam" (seja esta minha expiação). Em seguida, entregam o animal ao shochet, sacerdote responsável pelo abate. Já os muçulmanos celebram a Eid al-Adha (Festa do Sacrifício), cerimônia realizada no décimo dia do último mês do calendário islâmico, no fim da hajj (peregrinação a Meca). São sacrificados carneiro, camelo, cabra ou boi.

No caso das religiões afro-brasileiras, especialmente o segmento filiado à doutrina iorubá, celebram o Etutu (ritual de oferendas), sendo que o alimento resultante do abate é consumido pelos fiéis e pela comunidade que circunda os templos. “Em breve, os parâmetros jurídicos do abate religioso serão examinados pelo STF, tendo como base uma decisão do Tribunal de Justiça gaúcho de que o abate praticado pelas religiões afro-brasileiras desde, que sem excesso ou crueldade, nada tem de ilegal ou inconstitucional”, disse o advogado.

Segundo Dr. Hédio a Constituição Federal assegura a liberdade de culto, de liturgia e proíbe o Estado de embaraçar o funcionamento das cerimônias religiosas, protegendo as manifestações culturais e prescrevendo a valorização da diversidade étnica. “Por esse ângulo, é possível afirmar que o julgamento do abate religioso terá pouca ou nenhuma relação com o julgamento da vaquejada”.

DR. HÉDIO SILVA JR. é advogado e ativista histórico. Foi secretário da Justiça do Estado de São Paulo e é um dos mais respeitados defensores da cultura e das religiões de matrizes africanas. Em 2016, foi homenageado com o Troféu Asé Isesé (A força dos nossos ancestrais) conferido pelo Centro Cultural Africano à lideranças religiosas e personalidades públicas que se destacam na luta contra a intolerância religiosa.

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