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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Abertas as inscrições para o curso gratuito “Trajetórias das Mulheres Negras no Brasil”

Data: 18/02/2015

Projeto contemplado pelo Prêmio Lélia Gonzalez, curso destaca a atuação de referências femininas negras em diferentes momentos da história brasileira. Inscrições vão até o dia 28 de fevereiro, pelo site http://www.amoead.com.br

Abertas as inscrições para o curso gratuito “Trajetórias das Mulheres Negras no Brasil”

Estão abertas as inscrições para o curso "Produção Intelectual de Mulheres Negras – Trajetórias das Mulheres Negras no Brasil", organizado pela Associação Mulheres de Odun (AMO). Realizado no âmbito das ações do Prêmio Lélia Gonzalez, o curso trata das produções de mulheres negras em vários períodos da história brasileira, relacionando com a trajetória geral das mulheres no Brasil. As inscrições vão até o dia 28 de fevereiro e podem ser feitas pelo site www.amoead.com.br . O curso tem início no dia 9 de março e será realizado na modalidade à distância, gratuitamente.

O projeto da AMO foi um dos contemplados pelo Prêmio Lélia Gonzalez, no âmbito estadual da premiação. Realizado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR) e pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), o concurso distribuiu R$ 2 milhões a projetos que envolvem mídias; campanhas; eventos (cursos, seminários, oficinas, encontros ou similares); produção de publicações, registro e memória, distribuídos em três eixos prioritários: Protagonismo da Organização; Enfrentamento ao Racismo e ao Sexismo Institucional e; Cultura e Comunicação para a Igualdade. No total, foram premiadas 13 instituições que atuam em âmbitos nacional, estadual e municipal, sediadas nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Bahia e Amapá.

Lélia Gonzalez - (1935-1994), foi antropóloga e ativista e é referência dos movimentos negros e de mulheres. Seu legado é fonte permanente de inspiração para diversas ações de enfrentamento ao racismo e ao sexismo, bem como para iniciativas que visam ampliar a participação política das mulheres, especialmente das mulheres negras.

Fonte: http://www.seppir.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2015/02/abertas-as-inscricoes-para-o-curso-201ctrajetorias-das-mulheres-negras-no-brasil201d

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Apartheid e Carnaval

 

fev 17, 2015

Por Adriana Vitória

Não posso imaginar nenhum cidadão da cidade do Rio de Janeiro que tenha conseguido crescer sem carregar uma dor interna causada pelo descaso e pela discrepante diferença social. Passei a minha infância sem conseguir entender porque podíamos viver com tanto conforto enquanto as crianças que viviam nos morros vizinhos a nossa casa, mal tinham o que comer ou vestir.35C1CACF1

Na minha adolescência a situação foi se agravando, pois as favelas só aumentavam. Governo após governo, a situação sempre piorava. Fique completamente chocada certo dia ao ver três crianças passando por um restaurante. De repente, elas meteram as mãos no prato de um cliente distraído sentado na varanda, pegarem a comida do prato as pressas e enfiarem na boca quase em desespero.

Na época, a maioria dos moradores das favelas era de negros. Na década de oitenta, continuavam sendo e assim a realidade é perpetuada até hoje. Os mesmos a quem, desde a colônia, foi negado o direito a educação, a dignidade e a vida. Quinhentos anos depois eles continuam sendo mortos, torturados e desrespeitados. Milhares de jovens morrem assassinados todos os dias, mas não são noticia. Hoje esses crimes passaram quase a ser um alivio pra muitos que os acham um incomodo. A zona sul da cidade não os quer em “suas” praias”, suas praças ou calçadas mas os tolera durante a maior festa do país senão do mundo, o carnaval.

Vivemos um apartheid há cinco séculos. Até hoje é raro, não só no Rio, mas em todo pais, ver um negro nas escolas privadas, universidades, dirigindo um bom carro ou em bons cargos profissionais e o país, acostumado a essa hipocrisia, aparenta não se lembrar, por falta de conhecimento ou por não querer mesmo, de que o Brasil é terra onde o europeu teve a “audácia” de se misturar aos nativos e escravos criando, assim, o povo brasileiro, portanto, com raras exceções, somos todos um pouco “raspa do mesmo tacho”.

A história do carnaval no Brasil iniciou-se no período colonial. Uma das primeiras manifestações carnavalescas foi o entrudo, uma festa de origem portuguesa que na colônia era praticada pelos escravos.

Foram os  negros nos deram o ritmo, o samba, o vatapá, o candomblé, a yemanjá, a capoeira e um número infinito de coisas maravilhosas da nossa cultura, além, é claro, do que hoje é o carnaval no país que, mesmo não tendo origem brasileira, tem aqui a mais linda e glamorosa festa realizada em todo o mundo.

O carnaval que conhecemos, que atrai milhares de turistas todos os anos, que fornece milhares de empregos, que tira jovens das drogas e da vida precária, que gera milhões para governos corruptos e absolutamente negligentes foi, e é ainda é feito pelos descendentes de africanos, pela maioria favelada, que até hoje, boa parte das classes alta e média, insiste em escravizar e a tratar com desprezo 360 dias do ano, exceto quando pretendem sublimar seus preconceitos para poder participar da festa “deles”. E durante estes quatro dias de folia, os papéis podem ser invertidos. “Brancos” se fingem de negros e “negros”, de senhores. É o grande momento quando o negro, generosamente, recebe o branco que passa o ano o rejeitando, em sua escola.

São horas preciosas, onde eles não morrem de bala perdida, não fogem da policia ou usam o elevador de serviço. São os raros momentos do ano onde podem andar de cabeça erguida.

Aos olhos do mundo, somos todos pardos fazendo um grande espetáculo, mas aos olhos da nossa mídia perversa e hipócrita, o foco da festa são as celebridades e os convidados “brancos”. Além disso, quem faz a festa e não desfila não tem como assistir. Alguém já viu algum artesão da festa nos caros camarotes do samba?

Somos um país medieval de coronéis e senhores de engenho, mas como dizia o sábio Milton Santos, geógrafo e pensador, um dos raros negros deste país a conseguir escapar deste perverso sistema: “ Existem apenas duas classes sociais, a dos que não comem e a dos que não dormem com medo da revolução dos que não comem.” Isso definiria a população do Rio de Janeiro que hoje em dia não dorme mesmo.

Amo essa mistura de gente, raças e cores, mas não suporto mais tanta injustiça.

Estamos no meio de uma guerra civil interrompida até quarta feira de cinzas. Mas fazendo minhas as palavras de Miltom Santos: “Os negros ainda sorriem. Preocupa-me o momento que começarem a ranger os dentes.” Este dia acho que chegou.

Na imagem, um exemplo da beleza do povo e do espetáculo que é o carnaval brasileiro.

FONTE: http://www.contioutra.com/apartheid-e-carnaval/

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Confira as imagens dos caminhões de alimentos do Projeto Ajeun Ilerá chegando na ASSOBECATY

 

Dia 13 de fevereiro é um dia muito especial, para a comunidade guaibense, por estar chegando os primeiros caminhões de alimentos do Projeto Ajeun Ilerá. IMG_2009

IMG_2009

Sede da Associação Beneficente Cultural Africana Templo de Yemanjá -ASSOBECATY      

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Guaíba, RS , Brasil.

A cultura negra é popular, pessoas negras não são” As festas “neotropicalistas” e a apropriação cultural indevida

por Andrei Nonato  no Festival Marginal

Cultura negra é popular, pessoas negras não são.

bbb tropicalistas

No Facebook, semanalmente surgem eventos em que abundam palavras referentes às religiões de matriz africana como “mironga”, “saravá”, “gira”, nomes de orixás e até mesmo palavras do yorubá (língua matriz no culto da Nação Ketu, do Candomblé, entre outros) como “obá” e “ilú”. As divulgações costumam explorar a estética “étnica”, “afro”, mostrando mulheres com turbantes, colares de contas (aludindo às guias e ilekês), cores quentes, padronagens. São festas alternativas às baladas de música bate-estaca, voltadas para o público descolado, universitário, que frequenta a Vila Madalena. Nessas pistas de dança é comum ver pessoas brancas carregando turbantes na cabeça [2], quando não cocares, pinturas aleatórias no rosto, dançando ao som de músicas brasileiras. A decoração não exita em utilizar imagens de orixás. Resumindo: são eventos que se apropriam de elementos afro-brasileiros (e também indígenas) para fazer dinheiro.

Essa banalização e mercantilização da cultura e religião afro-brasileira é muito desrespeitosa com o povo de terreiro e com as pessoas negras. Turbantes são vestimentas sagradas e símbolos de luta e resistência, orixás são divindades ancestrais e figuras de empoderamento. Eles devem ser valorizados e ostentados, sim, mas não em festas na Vila Madalena e regiões centrais elitizadas, por pessoas brancas que não sabem direito o significado e peso político e social daquilo que “festejam”.

É muito fácil saravar na balada. A afrorreligiosidade é muito atrativa quando é emburguesada, embranquecida e explorada ao som de MPB e regada a álcool. Deve ser interessantíssimo fumar um baseado e dançar a tecnomacumba da Rita Beneditto (Rita Ribeiro). Enquanto isso, imagens de Oyá são decapitadas [3], terreiros são invadidos e vandalizados pelo fanatismo cristão e a TV aberta exibe programas onde nossa fé é demonizada. Na periferia acontece o genocídio da população negra. Mas não há peso na consciência dos universitários que só querem “neotropicalizar”.

E não, visibilidade não é um argumento. A visibilização acontece quando religiosos de matriz africana e pessoas negras protagonizam suas pautas e levam suas vozes, seus rostos e sua cultura para a mídia, para a música, para a rua, e tornam seus símbolos patrimônio imaterial da humanidade, como aconteceu com a Capoeira [4].

Seria exagero pedir respeito? Não. Portanto sugiro às pessoas que frequentam tais eventos que gastem seu dinheiro, tempo e energia de maneira mais consciente. Se quiserem louvar aos orixás e ouvir o som da percussão sagrada, são muitas as opções de terreiros espalhados por São Paulo, com calendário repleto de festas públicas. Fica a dica.

Àse!

[1] Em premiações da MTV, artistas brancos como Iggy Azalea têm sido premiados em categorias de hip hop, ao invés de pessoas negras. “Fancy” é o nome da música onde Iggy canta e faz rimas imitando mulheres negra e da periferia.
Leia a matéria completa em: "A cultura negra é popular, pessoas negras não são" As festas “neotropicalistas” e a apropriação cultural indevida - Geledés
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A cultura negra é popular, pessoas negras não são” As festas “neotropicalistas” e a apropriação cultural indevida

por Andrei Nonato  no Festival Marginal

logo Revista Conexão Afro 13 de fevereiro- Guaíba- RS –Brasil
REVISTA CONEXÃO AFRO

Cultura negra é popular, pessoas negras não são.

bbb tropicalistas

No Facebook, semanalmente surgem eventos em que abundam palavras referentes às religiões de matriz africana como “mironga”, “saravá”, “gira”, nomes de orixás e até mesmo palavras do yorubá (língua matriz no culto da Nação Ketu, do Candomblé, entre outros) como “obá” e “ilú”. As divulgações costumam explorar a estética “étnica”, “afro”, mostrando mulheres com turbantes, colares de contas (aludindo às guias e ilekês), cores quentes, padronagens. São festas alternativas às baladas de música bate-estaca, voltadas para o público descolado, universitário, que frequenta a Vila Madalena. Nessas pistas de dança é comum ver pessoas brancas carregando turbantes na cabeça [2], quando não cocares, pinturas aleatórias no rosto, dançando ao som de músicas brasileiras. A decoração não exita em utilizar imagens de orixás. Resumindo: são eventos que se apropriam de elementos afro-brasileiros (e também indígenas) para fazer dinheiro.

Essa banalização e mercantilização da cultura e religião afro-brasileira é muito desrespeitosa com o povo de terreiro e com as pessoas negras. Turbantes são vestimentas sagradas e símbolos de luta e resistência, orixás são divindades ancestrais e figuras de empoderamento. Eles devem ser valorizados e ostentados, sim, mas não em festas na Vila Madalena e regiões centrais elitizadas, por pessoas brancas que não sabem direito o significado e peso político e social daquilo que “festejam”.

É muito fácil saravar na balada. A afrorreligiosidade é muito atrativa quando é emburguesada, embranquecida e explorada ao som de MPB e regada a álcool. Deve ser interessantíssimo fumar um baseado e dançar a tecnomacumba da Rita Beneditto (Rita Ribeiro). Enquanto isso, imagens de Oyá são decapitadas [3], terreiros são invadidos e vandalizados pelo fanatismo cristão e a TV aberta exibe programas onde nossa fé é demonizada. Na periferia acontece o genocídio da população negra. Mas não há peso na consciência dos universitários que só querem “neotropicalizar”.

E não, visibilidade não é um argumento. A visibilização acontece quando religiosos de matriz africana e pessoas negras protagonizam suas pautas e levam suas vozes, seus rostos e sua cultura para a mídia, para a música, para a rua, e tornam seus símbolos patrimônio imaterial da humanidade, como aconteceu com a Capoeira [4].

Seria exagero pedir respeito? Não. Portanto sugiro às pessoas que frequentam tais eventos que gastem seu dinheiro, tempo e energia de maneira mais consciente. Se quiserem louvar aos orixás e ouvir o som da percussão sagrada, são muitas as opções de terreiros espalhados por São Paulo, com calendário repleto de festas públicas. Fica a dica.

Àse!

[1] Em premiações da MTV, artistas brancos como Iggy Azalea têm sido premiados em categorias de hip hop, ao invés de pessoas negras. “Fancy” é o nome da música onde Iggy canta e faz rimas imitando mulheres negra e da periferia.
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Confira as imagens dos caminhões de alimentos do Projeto Ajeun Ilerá chegando na ASSOBECATY

Dia 13 de fevereiro é um dia muito especial, para a comunidade guaibense, por estar chegando os primeiros caminhões de alimentos do Projeto Ajeun Ilerá. IMG_2009

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Guaíba, RS , Brasil.