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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural ASSOBECATY Oferta a Oficina de Sabonete Artesanal Afro

oficina de sabonete artesanal afroOficina ensinará confecção de sabonetes artesanal afro.
Estão abertas as inscrições para oficina gratuita de sabonete artesanal oferecido pela Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural - ASSOBECATY. As vagas são para jovens e adultos homens e mulheres que tem interesse de reforçar o orçamento da família. Os interessados devem se inscrever no local onde será realizado a capacitação.
As oficinas ensinarão a confeccionar sabonetes, ocorrem na sede do Ponto de Cultura da ASSOBECATY, situado na rua Wenceslau Fontoura nº 226, Jardim Santa Rita Guaíba.
Com o ensino de técnicas de confecção de sabonetes e venda dos produtos, a oficina será realizada nos dias 6, 8, 15 de setembro, sempre das 14h às 15h.
Depois de prontos, os materiais poderão ser vendidos pelos alunos. As matérias-primas para o início serão fornecidas pelo projeto. O conteúdo das aulas também inclui noções de preço, embalagem e comercialização. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (51) 30556655.

Venha conhecer a Pedra de Xangô localizada na cidade de Guaíba . Ela é o marco de resistência da matriz africana. É diante deste sagrado que vai acontecer a 10ª Edição do ALUJÁ NA PEDRA DE XANGÔ. Realização Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural ASSOBECATY.

FotoJet (21)

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Campanha do Agasalho 2017 ASSOBECATY na finaleira com entrega de roupas na Vila Primavera , São Luiz, São Jorge

ASSOBECATY é reconhecida por ser solidária, por ser de assistência, ser cultural, por ser de tradição de matriz africana. Estamos finalizando entregaFotoJet de roupas na Campanha do Agasalho da ASSOBECATY 2017.

As doação de roupas, calçados, cobertas em boas condições de uso podem fazer a alegria e aquecer muitas pessoas que estão em vulnerabilidade social.  Este ano foi atípico, vieram bem menos agasalhos, por esta questão foi priorizado os cadastrados do  projeto AJEUN ILERA - Alimento saudável para todos das vilas  Primavera, São Jorge, São Luis, 688, que receberam as doações de roupas .

Morre o ativista social e Matriz Africana chora por Nei D’Ogum


NEI, PRESENTE!

NeiO dia começou imensamente triste com a notícia do falecimento do companheiro Nei D'Ogum, militante petista, ativista social, agitador cultural e, principalmente, um combatente contra a discriminação, o racismo e a homofobia.
O Nei era daquelas pessoas que contagiava onde estivesse pela inquietude, pela irreverência e pelo jeito como travava lutas extremamente duras de um jeito leve e cativante. Nei partiu muito cedo, mas não antes de deixar um legado muito diversificado e grandioso de engajamento e de posicionamento contra tudo aquilo que representasse uma injustiça.
Nei batalhava praticamente todos os momentos por um mundo bem mais justo e solidário do que o mundo que vivemos hoje. É nosso dever - nós que somos companheiros de jornadas dele - não recuar, não dar passos para trás, não esmorecer.
A melhor forma de homenagear o Nei é continuar lutando e bradando contra a opressão, a violência e o preconceito. A imagem que sempre vou ter dele é esta aqui embaixo: punho cerrado e bem lá no alto.
Podes descansar, sim, Nei, pois foste um grande guerreiro em vida. Um guerreiro pelos mais pobres, pelos mais sofridos, pelos mais discriminados!
#Luto #SantaMaria #NeiDOgum

Morre o ativista social e religioso Nei D'Ogum

Ele será enterrado na tarde desta quinta-feira em Santa Maria

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Morre o ativista social e religioso Nei D'Ogum  Divulgação/

Foto: Divulgação

Diário de Santa Maria

Diário de Santa Maria

Um dos ativistas religiosos e sociais mais atuantes em Santa Maria morreu na noite desta quarta-feira, em Santa Maria. Vilnes Gonçalves Flores Júnior, conhecido como Nei D'Ogum está sendo velado na Capela 4 do Hospital de Caridade. O enterro está previsto para às 15h desta quinta, no Cemitério Ecumênico Municipal. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Nei morava no Loteamento Cipriano Rocha, onde fundou uma Associação Comunitária. Era defensor da cultura popular, dos espaços públicos e das artes de rua urbana. Também foi um dos fundadores do Coletivo Ará Dudu, de arte e cultura negra. Ele vivia com o companheiro Ricardo Souza há mais de 20 anos.

Nei trabalhou como guia turístico, auxiliar de fabricante de picolés e sorvetes, vendedor no comércio, auxiliar de pedreiro, garçom, consultor político e produtor cultural. Na última eleição municipal, foi candidato a vereador em Santa Maria pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Dos 214 candidatos, foi o 27º mais votado.

Praticante de religião de matriz africana, Nei pertencia à Comunidade de Terreiro Ilê Axé Ossanha Agué e foi articulador da 1ª Conferência Municipal e Regional dos Povos de Terreiro.
Sua trajetória como ativista foi retratada no documentário Pobre Preto Puto, dirigido por Diego Tafarel, lançado em 2016 e premiado no Festival de Cinema de Gramado. A obra também teve estreia nacional em junho deste ano, quando foi transmitido pelo Canal Brasil. Confira o trailer:

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural este é o nome do 1º Ponto de Matriz Africana do Estado do Rio Grande do Sul. Um lugar de expressão da cultura de um povo.

[004780]Um lugar de expressão da cultura afro. Um lugar de convívio da comunidade. Assim pode ser descrito o Ponto de Cultura Ilê Axé CUltural. ASSOBECATY, que oferta aos frequentadores uma programação cultural de ótima qualidade, num ambiente preparado para todas as atividades oferecidas. Localização: Av. Wenceslau Fontoura, 226 Santa Rita Guaíba Horário: Oficinas aos sábados das 9h às 16h Contato: Tel: (51) 30556655

terça-feira, 25 de julho de 2017

Carta de um Homem Negro à uma Mulher Negra…

 

A você, Mulher Negra

Nem sei como iniciar este meu contato com você…

Vou começar pela forma mais sincera e humilde que consigo encontrar neste momento:

Peço-lhe as minhas desculpas, Minha Rainha

Tenho estado tão afastado de mim, um homem preto do século 21, que caí nas armadilhas que me fizerem ignorar e menosprezar a sua presença.

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Desde que nós dois aqui desembarcamos, sequestrados que fomos, lá, do outro lado do “Grande Rio”, houveram mais condições e eventos que me fizeram desconsiderar e até mesmo negar o seu real valor, do que dignificá-la e exaltá-la, como os nossos antepassados já o faziam, antes que o flagelo da escravização se abatesse sobre nós.

Trazidos pra cá, todas as condições de vida que tanto eu quanto você (e você, principalmente), às quais fomos nós dois submetidos, conspiraram pra que o meu olhar sobre você fosse contaminado, desde que pela primeira vez vimos o sol do Brasil, ao sairmos dos porões fétidos dos navios tumbeiros vindos da África, nossa outrora Terra Mãe.

Saímos de lá, Deusa de minhas tradições, pra nunca mais voltar…

Forçado que fui a sobreviver em uma nova ordem social (bem distinta e conflitante com as nossas tradições culturais de tempos infindos e terras distantes), eu homem preto, fui massacrado em minha forma de entender a mim e ao mundo, e também na forma de me relacionar com você, minha parceira milenar, em um contexto opressivo e massacrante que era (e ainda é!) sustentado pela violência sistemática, a opressão contínua, a ameaça implacável, a violação de laços familiares e a infusão de valores doutrinários exógenos à minha percepção de mundo original.

Fatinha do Jongo (Foto - Jabuti Filmes)Fatinha do Jongo (Foto – Jabuti Filmes)

E também ao mimetismo generalizado imposto ao meu corpo e (principalmente!) à minha alma, o qual me expõe e me torna “disponível” às mulheres de grupos étnicos diferentes do meu… e esse mergulhomodela o meu pensar, o meu falar e as minhas atitudes, de tal forma sou acuado a “adaptar para ser aceito” em círculos de convivência alheios às minhas origens, à minha herança cultural e ao meu legado histórico.

Não vi, ou fingi não ver, a sua dor e a sua solidão, Rainha de minha história. Fui falho, indiferente e injusto com a sua luta e também com a sua demonstração diária de resistência. Sei que a minha ausência nos seus momentos de isolamento e angústia intensificaram ainda mais as suas lágrimas, fossem elas expostas à luz do sol, ou vertidas na escuridão de suas noites solitárias. Mostrei fragilidade, no momento em que você solitariamente mostrou e prova ao mundo toda a grandiosidade de sua força.

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E, nas oportunidades em que a minha condição social ascendeu minimamente, eu lhe virei as costas e fui despejar o meu patrimônio em outras culturas e em outros grupos, em detrimento de toda a nobreza africana que eu deveria exaltar com você do meu lado e com a devoção que, agora começo a perceber, Rainha, deveria ser integralmente dedicada a você.

Contudo, começo a despertar de novo, minha Obá triunfal, em nome do resgate e da retomada dos meus passos em sua direção, em sua celebração e em busca do merecimento, ainda que tardio, de sua companhia e da sua existência; a única que, agora eu sei, me complementa, me dignifica e que me torna ainda maior do que eu mesmo acredito que posso ser.

Estou ciente de que tenho errado com você, Majestade de Ébano, mas vou beber da fonte da humildade para, desta vez, agir em busca dos acertos. Rebuscar, em algum lugar dentro de mim, o sentimento de presença e de proteção a você, que se esvaiu do meu peito e de minhas atitudes, desde que a primeira embarcação aviltante desembarcou por aqui.

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Sei da minha porção de encargos sobre as mazelas que se abatem sobre a sua vida desde que aqui chegamos e sei o quanto a minha omissão e insensatez em todo esse cenário contribuíram e continuam contribuindo para a dor e as cicatrizes do seu corpo e da sua alma.

Mas quero me redimir, Rainha. E o meu êxito, caso eu consiga, só virá com um gesto de perdão seu (ainda que relutante) em minha direção.

Nem sei se mereço, se levarmos em conta que foram os meus próprios deslizes que provocaram o seu olhar amargurado e crítico sobre mim.

Mas quero e vou tentar. Só agora entendo que só posso ser um Homem na integridade se tiver você amada, feliz, segura, respeitada, valorizada, protegida e satisfeita do meu lado.

Não posso e não devo falar por todos os Homens pretos. Falo por mim e pelo o que o meu juízo crítico me determina neste momento.

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Eu preferi caminhar do seu lado. Já me sinto feliz e de cabeça erguida com a minha decisão. Espero ser digno por, de novo, poder me aninhar em seus braços.

E voltar a ser o Homem por inteiro que eu era antes de atravessarmos o oceano. Da mesma forma que nos tiraram da África, torço pra você me aceitar de volta.

Pra eu nunca mais sair de você e você nunca mais sofrer por mim…

Fonte: Durval Arantes