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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Quilombo Oliveira Silveira é inaugurado

 

26/01/2012 por Da Redação  Áfricas

Cláudio Isaías

MARCOS NAGELSTEIN/JC

Luiza (2ª da dir. para a esq.) visitou as tendas e falou com militantes

Luiza (2ª da dir. para a esq.) visitou as tendas e falou com militantes

Com a presença da ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, foi realizada ontem a inauguração oficial do espaço Quilombo Oliveira Silveira, no Largo Zumbi dos Palmares, no segundo dia de atividades do Fórum Social Temático. O local possui sete tendas onde são realizados debates sobre temas como cotas para negros na educação e no serviço público, perseguição às religiões de origem africana, saúde da população negra e comunidades quilombolas.

Durante uma hora, Luiza visitou as tendas e conversou com militantes negros. “É um espaço importante para marcar as reivindicações da população negra como o combate ao racismo”, explica. Segundo ela, a promoção da igualdade racial é um elemento essencial da justiça social e da democracia.

Para Luiza, os avanços somente vão ocorrer quando os negros estiverem ocupando espaços de poder que garantam a realização das políticas públicas. “Não é somente a Seppir. É necessário ter órgãos estaduais e municipais da mesma natureza extremamente fortes e organizados”, comenta. De acordo com a ministra, uma estrutura em nível federal ajuda, mas não é suficiente para atender a todas as reivindicações dos negros.

O presidente da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Edson França, elogiou a criação do espaço na Capital em homenagem a Oliveira Silveira, um dos criadores do Dia da Consciência Negra. No entanto, França ressaltou que está na hora de discutir temas como o racismo da sociedade brasileira, a violência policial contra jovens negros e cotas. “Somos 50% da população brasileira e temos direitos de ter acesso a políticas públicas afirmativas”, comenta. Para José Antônio dos Santos da Silva, um dos coordenadores do espaço Oliveira Silveira, é preciso que as políticas públicas afirmativas se tornem realidade. “Os negros querem o seu espaço na sociedade. É preciso que os governos estadual e municipal dialoguem com os movimentos negros”, acrescenta.

No Largo Zumbi dos Palmares, a ministra participou ainda do encontro 10 Anos de Articulação da Rede Quilombos do Sul. A atividade promoveu avaliações sobre uma década de atuação da organização, que reúne cerca de 20 comunidades do Rio Grande do Sul. Além disso, foi realizado um balanço das perspectivas da luta quilombola no Brasil.